“Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor”. Rm 7.24,25

Nas Cantatas de Johann Sebastian Bach, às vezes, parece que duas melodias completamente diferentes estão lutando uma contra a outra. Mas quando a gente presta bem atenção – e para isto se precisa de paz interna – as duas melodias sempre, de novo, se unem em maravilhosa harmonia. Uma melodia retrata a aparente perdição inevitável dos homens. A outra anuncia e proclama a graça de Deus – perdição e graça. Isso não é desarmonia? Não é antônimo? Quando pensamos na história do sofrimento e morte de nosso Salvador, sentimos que as duas melodias, perdição e graça, se transformaram numa harmonia maravilhosa.

Nossa vida está cheia de lamentações. Amaldiçoamos nossos vícios, mas eles voltam. Tentamos nos livrar das correntes do pecado, mas não conseguimos romper com elas. Temos vergonha de nós mesmos e, logo em seguida, nos orgulhamos de nós mesmos. Gostaríamos tanto de nos tornar pessoas melhores. E logo estamos novamente na miséria. Hoje queremos cantar e jubilar e amanhã suspiramos do fundo de nosso coração em tristeza e angústia.

O apóstolo Paulo também passou por tudo isso. Agora ele está livre. Ele sentiu a angústia da derrota em si mesmo. Apesar de sempre ter sido uma pessoa “piedosa”; uma pessoa cheia de orgulho por sua própria justiça. De repente, toda essa piedade, todo seu orgulho, seu fervor, seu culto aparente a Deus foi destruído num só instante. Ele estava diante do nada.

Mas agora uma vitória após tanta derrota está se mostrando. Só que não é uma vitória da qual ele pode se orgulhar. E a vitória de um outro poder. Ao mesmo tempo, é uma vitória para ele. Jesus Cristo venceu por ele. Cristo venceu tudo o que havia de condenável nele. Agora ele sabe o que aconteceu na noite de Natal, quando o Filho de Deus veio ao mundo. Ele sabe o que aconteceu na Sexta-feira-Santa, da cruz, do sofrimento e da morte de seu Senhor. Ele sabe do milagre da Páscoa e da vitória de Cristo sobre a morte e o poder do diabo. Assim ele, através do que Deus fez em Cristo, sai da perdição e chega à paz com Deus. Por isso também, na vida do apóstolo Paulo, as duas melodias caminham lado a lado, transformando-se em harmonia: Desventurado homem que sou! e: Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor!

Você já escutou essas duas melodias em seu coração? Você sabe da grande perdição da qual você exclama: Desventurado homem que sou!? E quando você pergunta: Quem me livrará do corpo desta morte? Então você já pode receber a mensagem da cruz que lhe anuncia aquela paz que está acima de todo entendimento. Então você também saiu da condenação e perdição e chegou à graça do Senhor.

Senhor, dá a mim, pobre pecador, a tua paz! Amém.

Pastor Roberval Ribet

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